Procurei terapia quando percebi que estava a viver em piloto automático… cheia de dores que vinham de muito longe, mas que eu nunca tinha verdadeiramente olhado de frente. Sempre fui aquela que cuida, que aguenta, que não se queixa.
Mas por dentro, sentia-me cada vez mais apagada. Carregava um peso antigo, silencioso, que me roubava a alegria de viver — e que tinha muito a ver com a minha história familiar.
O que mais me magoou ao longo da vida foram os maus-tratos e as críticas constantes do meu pai.
Nunca me senti aceite, muito menos amada por ele. Sentia que tudo o que eu fazia estava sempre errado.
As palavras duras, os gritos, o medo de errar, de existir até… tudo isso foi moldando uma L. pequena, que cresceu a achar que tinha de ser perfeita para merecer um pouco de paz.
E ao mesmo tempo, ansiava por um gesto de ternura que nunca vinha.
Da minha mãe, desejei atenção, presença, compreensão.
Quis colo, e muitas vezes recebi exigência ou silêncio.
Fui aprendendo a calar-me, a adaptar-me, a cuidar de tudo à minha volta… menos de mim.
E foi nesse esquecimento de mim mesma que adoeci por dentro.
No início da terapia, eu nem sabia por onde começar.
Só sabia que estava cansada.
Que precisava de me encontrar.
Hoje, com todas as dores ainda presentes, mas vistas e reconhecidas, posso dizer que comecei a reconstruir-me.
Aprendi que dizer “não” é salvar-me.
Que pôr limites não é ser má filha, má pessoa, ingrata — é ser justa comigo.
Estou a aprender a cuidar da mulher que sou, com respeito pelas feridas da menina que fui.
O maior ganho tem sido este — reconhecer que não preciso continuar a repetir padrões de dor só porque cresci dentro deles.
A minha história começa a deixar de ser um peso, para se tornar uma força.
Obrigada, Alexandra por me dar o espaço seguro onde, pela primeira vez, pude ser simplesmente… Eu!
Estamos Juntas!!! Beijinho